quinta-feira, 15 de março de 2012

Cristiano Luiz Ribeiro de Araujo
Assistente Social, Especialista em Administração Pública
APROVADO NO PROGRAMA DE MESTRADO DA UFES

...E Cristiano vai, segue seu curso, sua vida e nos deixa a todos nós, 680 estudantes, seus colegas com uma leve, suave, imensa saudade das suas intervenções pontuais, as vezes de comiseração, as vezes ácidas com aquele sorriso que inebria os olhos de quem o assiste;
Lá se vai Cristiano para um organismo não maior, mas de maior complexidade, as palavras, a postura de um estudante de mestrado que mestre já é desde que escolheu sua profissão;
Lá se vai nosso morador de Ponta da Fruta e suas promessas de praia, churrasco e acolhimento;
Lá se vai uma pessoa que tem um coração “social” que pensa, respira, expressa a importância da nossa sociedade, da população de rua, do desamparo e do abraço.
Cristiano, todos nós nos alegramos pela sua conquista ainda que isto implique na perda do privilégio de não fazer parte do seu convívio mais regular.
Saiba que está em nossas mentes e corações pois no nosso embate diário aprendemos a quere bem a você, figura querida, polêmica, doce e suave.
Receba nosso mais afetuoso abraço deste seu grupo de e da Vitória.
Carolina, Clara, Danielle, Fabiana, Francesca, Lenita, Maria Rita e Paulo
Até breve
 

Módulo 4 - Unidade I - Por Maria Rita


Nesta unidade todos os textos do tema em questão, apresentaram a trajetória e principais aspectos que nortearam o percurso desde a construção do conceito de cidadania, cidadão bem como as lutas, movimentos de expansão, valorização, reconhecimento e por fim ao posicionamento do sujeito social ao que podemos chamar de questões urgentes tais como moradia, educação, saúde, educação, saneamento, transporte. A estes temas surgem outros vieses de discussão propagadores de desigualdade, tais como: gênero, raça, etnia, opção religiosa, entre outras.
A leitura dos textos foi importante pois observei desde a Revolução Francesa e em vários países a movimentação da sociedade civil para auferir e garantir seus direitos, fazendo com que eu possa deduzir que a luta é importante e contínua, independente da posição que ocupamos na sociedade .
Os principais conceitos versam sobre Formas de Movimentos, Revolução, Partidos Políticos, Políticas públicas, Cidadania, Cidadão, Vertentes Políticas, Sociedade Civil, Camadas Sociais, terceiro Setor.

O que posso dizer quanto a corelação existente entre o que o texto problematiza e minha atuação enquanto gestora no meu segmento de atuação?
O conjunto de textos que tive acesso nesta unidade foram deveras impactantes e contundentes em demonstrar os adornos da política getulista, a visão de JK e por fim a ação de Joao Goulart; a ação da sociedade civil e a história dos diversos movimentos, revoluções e guerras  delinearam o que hoje chamamos hoje de mercado, onde trabalho e posso assegurar que nada mudou.
É impensável a quantidade de empresas privadas onde a classe operária ainda é a classe operária, embora sejam chamados de parceiros, colaboradores, associados. A carga horária continua acintosa pois registram o ponto e continuam trabalhando sem receber hora extra (banco de horas), hoje recebem celular e carro para ficar cada vez mais a disposição da empresa o que nos remete a uma condição de escravo e desindentificação, tanto que quem não assimila esta forma de vida está fora.
As políticas públicas hoje não são focalizadas nas reais demandas da população, sendo a leitura geral e não específica, abstendo-se o Estado de intervir de forma pontual e produtiva com vistas a gerar auto sustentabilidade do ser humano no seu universo, parcerizando com o terceiro setor das responsabilidades dantes cabíveis à sua alça de decisão.
Maria Rita de Cássia Sales Pereira
 

domingo, 11 de março de 2012

NUANCES DO SER AMBÍGUO

Fragmento de Artigo publicado na Revista Dimensões (UFES) de número 27 (01/2012), do qual um dos autores é nossa colega Maria Rita de Cássia Sales Pereira.
A finalidade é convidá-los a ampliar a visão sobre a excelente narrativa sobre o Período Getulista que consta deste Módulo (4) cujo professor é o caríssimo Prof. Dr. Sebastião.

Boris Fausto (2006) narra os primeiros anos de Vargas, versando sobre sua formação e de como se tornou parte essencial da história. Esta tarefa o autor realiza entrelaçando com sóbria elegância elementos históricos e políticos, os quais busca embasar teoricamente tornando a leitura mais objetiva.

O comportamento de Vargas e que nos remete a ambiguidade dos seus pensamentos, sentimentos e atitudes. Ao acompanhar o personagem retratado na história, se pode perceber que ali estava o homem que gestou por mais de dezoito anos o Brasil, contribuindo na formação da sua identidade e preparando-o para viver significativas mudanças que o distanciavam da monarquia, do império e do passado.
Vargas nebuloso, fugidio, crepuscular (Villaça, 1996:101) viveu muitas divisões internas e externas sem demonstrar desamparo ou temor pelos extremos: cidadão do Brasil, gaúcho por excelência, filho afeiçoado que se distanciou da família em busca dos seus objetivos. Esposo doce e distante; pomposo e suave ditador, presidente eleito direta e indiretamente, político autocrático, pragmático e assistencialista,  parente íntimo e distante da igreja que carregava em si a dor e o prazer, a angustiante paz de muitas pessoas reunidas em uma enorme solidão.

Boris Fausto (2006) constrói uma imagem de personalidade que foi equilibradamente cultuada, sacralizada e com a mesma intensidade repudiada e odiada.

Teia tecida, transformações econômicas e sociais, Vargas permitiu-se ver ora como resistente nacionalista, ora como estadista que socorre humildes, desvalidos. Em outros momentos surgia o homem impessoal, distante, articulado e dissimulado. Era camaleônico. Favoreceu o trabalhador urbano. Aquietou-se na causa do trabalhador rural. Implantou a legislação trabalhista que fazia parte de uma estratégia maior.

O autor trouxe para nossos dias a rememoração de um homem que comungava na sua essência e sangue o sabor do Açores e da Espanha em um só sentir o campo das lutas e da política entre a família paterna e materna.  Um homem capaz de buscar conciliação, talento reconhecido e que se tornou marca na sua carreira política.

São três os aspectos que merecem nossa atenção e que denunciam a personalidade camaleônica de Vargas: o aspecto político representado pela plataforma da Aliança Liberal apresentada por Vargas em Janeiro de 1930; o aspecto histórico na formação de dois fortes ministérios e o aspecto teórico representado pelo tom fatalista utilizado na narrativa do autor.
O objetivo da  Aliança Liberal era sensibilizar as elites regionais dissidentes, a crescente classe média urbana e a massa trabalhadora. Para tanto defendia a reforma do sistema político e a adoção do voto secreto, da justiça eleitoral, das liberdades individuais clássicas e a anistia.
As questões sociais tratavam de medidas de proteção ao trabalho das mulheres e dos menores; a necessidade de aplicação da lei de férias e a extensão moderada dos direitos de aposentadoria a todos os assalariados urbanos.
No plano econômico financeiro propôs a defesa dos preços de outros produtos de exportação, além do café que ocupava um lugar destacado no cenário.
Fruto da centralização do poder no governo provisório criou-se dois novos e fortes Ministérios: do Trabalho, Indústria e Comércio e da Educação e Saúde Pública, antevendo as profundas reformas estruturais que discorreram no percurso de Vargas no poder tendo por aliada a Igreja, ainda que só tenha casado no civil com Darcy então com  15 anos.
Afirmava-se cristão, no entanto casou-se apenas no civil. Precisou estreitar sua relação com a Igreja após o triunfo da revolução de 1930. A partir deste momento não teria mais como cindir seus passos, articulações rechaçando a Igreja, pelo contrário esta aliança tornou-se indissociável e com ela amalgamou melhor seus objetivos,

O tom fatalista da narrativa confundiu-se ao tom de Vargas frente a eventos que notadamente marcaram a sua vida, tais como sua chegada a Presidência da República de braços dados com a crise mundial iniciada em 1929; a decisão de comprar e destruir fisicamente o café por sucessivos treze anos para garantir a redução da oferta a fim de equilibrar o preço e por último a prisão do casal Prestes, estando Olga grávida de sete meses quando entregue a Gestapo.

Causa perplexidade o fato das lutas e conquistas da década de 30 se redefinirem e em muito se assemelharem às lutas dos tempos atuais. A humanidade no então período discutiu temas atuais, mantendo os principais paradoxos.
Na política tudo pode ser um fatigante processo por envolver direitos da coletividade e deveres do indivíduo. Por isso todo processo carece de pessoas aguerridas e de pulso forte.  A figura do herói, aquele que realiza o primeiro movimento, propagando a motivação dos seguintes até que se chegue ao objetivo ambicionado é necessária.
Hoje o povo degusta sabores maquinados e tracejados ainda na década de 30 por Vargas que pensou e idealizou um país diferenciado. A formação dos Ministérios fortaleceu os movimentos de Vargas, tornando-se a prova cabal do seu genuíno interesse pelas classes, pela melhoria das condições intelectuais e de vida do povo. 
Vários trechos do diário dividem com o leitor as vicissitudes das classes e conceitos totalizantes, remetendo aos rancores, invejas e desejos de vingança bem como os fantasmas da morte citados no texto de Pierre Ansart, (2001) vividos por Getúlio em seus vários momentos de silêncio estratégico ou mesmo de solidão.

PARTICIPAÇÃO FEMININA NA POLÍTICA BRASILEIRA

Para especialista, partidos brasileiros ainda são entrave à participação feminina na política

Essa baixa proporção de mulheres ocupando cadeiras no Congresso Nacional foi motivo de cobrança feita ao governo brasileiro, na semana passada, pelos peritos do Comitê das Nações Unidas para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Comitê Cedaw)

 José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado em estudos populacionais e pesquisas sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence)

Embora as mulheres tenham conquistado o direito ao voto no Brasil há 80 anos, esse fato não contribuiu para assegurar uma relação de equidade na representação política. Apesar de o país ser presidido por uma mulher, a atual bancada feminina na Câmara representa apenas 8,77% do total da Casa, com 45 deputadas. No Senado, há 12 senadoras, entre os 81 lugares.
Na opinião do professor José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado em estudos populacionais e pesquisas sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), os partidos políticos brasileiros ainda funcionam como "um grande funil" que impede o aumento da participação política feminina.
"É como um vestibular que vai selecionando. Nessa seleção, as mulheres ficam de fora. Quem decide a lista de candidatos são os homens", ressaltou. "Se fizermos uma comparação com a proporção nas câmaras de outros países, o Brasil ocupa o 142º lugar. Há 141 países com participação melhor de mulheres. Estamos piores que o Afeganistão, Iraque, o Timor Leste, Moçambique e Angola", acrescentou Alves, que também contesta a premissa de que a mulher brasileira não vota em mulher.
Essa baixa proporção de mulheres ocupando cadeiras no Congresso Nacional foi motivo de cobrança feita ao governo brasileiro, na semana passada, pelos peritos do Comitê das Nações Unidas para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Comitê Cedaw). Os questionamentos ocorreram durante a apresentação, em Genebra, do relatório produzido por organizações da sociedade civil brasileira.
Hoje (24), o Brasil comemora os 80 anos do direito de voto feminino. As mulheres passaram a ter o direito de voto por meio do decreto assinado em 1932, pelo presidente Getúlio Vargas.
"As mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto em 1932, mas ainda não conseguiram ser representadas adequadamente no Poder Legislativo. Até 1998, as mulheres eram minoria do eleitorado. A partir do ano 2000, passaram a ser maioria e, nas últimas eleições, em 2010, já superavam os homens em 5 milhões de pessoas aptas a votar. Esse superávit feminino tende a crescer nas próximas eleições. Contudo, existem dúvidas sobre a possibilidade de as mulheres conseguirem o apoio dos partidos para disputar as eleições em igualdade de condições", destacou.
No último congresso do PT, no fim do ano passado, as mulheres conseguiram aprovar a regra da paridade para as eleições que ocorrem em 2013. Mesmo sendo o partido da presidenta da República, Dilma Rousseff, a aprovação enfrentou resistência dentro da legenda.
Apesar das resistências, o PT foi o primeiro partido brasileiro a decidir pela paridade. Os outros não garantiram esse direito às mulheres filiadas e tentam seguir a regra prevista na lei que prevê a cota de 30% para as mulheres nas candidaturas proporcionais.
"Nas eleições passadas, nenhum partido conseguiu cumprir as regras, muitos acabaram apelando para candidaturas laranja, aquelas em que se coloca a secretária, a mãe, a tia como candidatos, mas não dá às mulheres as condições de disputar uma eleição de fato", destacou José Eustáquio Diniz Alves.
"A Lei de Cotas determina que os partidos inscrevam pelo menos 30% de candidatos de cada sexo e dê apoio financeiro e espaço no programa eleitoral gratuito para o sexo minoritário na disputa. Os estudos acadêmicos mostram que se houver igualdade de condições na concorrência eleitoral, a desigualdade de gênero nas eleições municipais poderá ser reduzida", destacou o professor, que não concorda com a opinião de que o eleitorado brasileiro, mesmo majoritariamente feminino, não vota em mulher.
"Existe essa ideia de que a mulher brasileira não vota em mulher e isso não é verdade. As eleições de 2010 provaram que isso não se sustenta. Tínhamos nove candidatos à Presidência da República, sendo sete homens e duas mulheres. Essas duas mulheres levaram dois terços dos votos", defendeu.

Texto indicado por Lenita Alves Noé

Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/cotidiano/para-especialista-partidos-brasileiros-ainda-sao-entrave-a-participacao-feminina-na-politica/52641/

 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Mulheres presas sofrem com a solidão em seu cotidiano

Por Mariana Soares - nanacsoares@gmail.com
Agência USP de Notícias - http://www.usp.br/agen/?p=85700

 









Estudo do Instituto de Psicologia (IP) da USP analisou o cotidiano das penitenciárias femininas de São Paulo, observando que há uma grande diversidade de perfis e modos de encarar a prisão. Embora fatores como a solidão sejam mais comuns às internas, elas formam grupos e tem experiências diferentes no ambiente em que se encontram. A pesquisa Por entre as grades: um estudo sobre o cotidiano de uma prisão feminina é de autoria da psicóloga Fernanda Cazelli Buckeridge. Sentimento de que não podiam confiar em ninguém era comum entre as presas Segundo a pesquisadora, há o costume de pensar nas mulheres presas de maneiras extremistas: ou elas são vítimas e cometeram crimes porque não tiveram escolha ou têm uma natureza ruim e merecem castigos severos por isso. Fernanda observa, no entanto, que no cotidiano, tais estereótipos não se sustentavam e que não era possível classificá-las nesses dois grupos. “A maioria delas é sim de uma classe social baixa, mas a pobreza não obriga ninguém a cometer crime, tanto que elas têm parentes e amigos na mesma situação que não cometeram nenhum ato criminoso”, diz  ”Para poder oferecer um olhar interno honesto e que problematizasse de fato o cotidiano das penitenciarias observadas, foi preciso sustentar estas tensões e o tempo todo evitar cair nestas posições polarizadas (vitimas versus essoas de natureza ruim)”.
No período da pesquisa, a psicóloga atuava nas penitenciárias através de uma ONG. Fernanda acredita que as atitudes da ONG e sua posição de sigilo na prisão incentivaram as presas a se abrirem, contando a respeito de seu cotidiano. O trabalho, orientado por Paulo de Salles Oliveira, professor do IP, foi realizado em duas penitenciárias femininas da cidade, com observações feitas no dia-a-dia da prisão e com cartas que as detentas escreviam. Segundo a pesquisadora, haviam algumas atividades disponíveis para as mulheres, como uma escola e uma fábrica. A fábrica fornecia trabalho temporário, já que era usada por várias empresas “de fora”. A remuneração por seu trabalho era, segundo Fernanda, predominantemente mandada para a família, especialmente para os filhos. “Muitas delas tinham um sentimento de culpa muito grande por estarem ali, então mandavam o dinheiro para fora”.
A autora do estudo destaca que uma característica marcante entre as presas era o sentimento de solidão, de que não podiam confiar em ninguém. “Elas estavam juntas, mas sozinhas”, diz a psicóloga. Embora existiam situações de solidariedade (quando uma delas têm um problema de saúde ou estavam em trabalho de parto e têm que ser transportadas até o Hospital Penitenciário, por exemplo), os casos de amizade são mais raros.
Perfil
O perfil das mulheres nas penitenciárias mostra que em sua maioria são jovens (de 18 a 30 anos) de classe baixa. Apesar da pouca idade, no entanto, elas muitas vezes parecem mais velhas. E as que já têm mais idade expressavam pontos de vista diferentes. A respeito, por exemplo, das facções internas. Na penitenciária do estudo há uma facção criminosa dominante, e estas mulheres mais velhas, dada sua vivência,não acreditam que essa facção ofereça uma proteção real às detentas. Elas querem liberdade para falar o que acham, o que esse tipo de organização não permite.
A psicóloga destaca que muitas vezes a prisão era uma figura comum na historia de vida dessas mulheres, que ou têm parentes presos ou elas mesmas já foram detidas anteriormente. O tipo de crime cometido varia bastante, mas muitas delas foram presas por tráfico de drogas ou ainda por tentarem levar artefatos para os maridos na prisão. Privadas de sua liberdade, essas mulheres sentem falta dos filhos e temem o exemplo que podem dar para o filho. “Elas tinham muito medo do filho entrar naquele ambiente em que elas vivem, então era raro que os filhos fossem visitá-las. A maioria das visitas são de mulheres. Diferentemente do que acontece em uma prisão masculina, também não é comum a visita do parceiro”, diz a pesquisadora. Outro aspecto que merece ser observado é a força da religião. Segundo Fernanda, as mulheres apontavam que a religião as ajudava a encontrar um sentido para o que estavam vivendo.
Muitas das mulheres que estavam presas no período ainda estavam esperando seu julgamento. Segundo o estudo, essa fase causava aflição, pois ainda não tinham sido condenadas e não sabiam quanto tempo iam ficar presas. “Ao receberem sua sentença e saberem quanto tempo exatamente ficariam por lá, o jeito de encarar a prisão e o dia-a-dia lá dentro também mudava”, diz a pesquisadora.
Para Fernanda, impressiona o tratamento caloroso por parte das detentas. “É impressionante que mesmo dentro de um contexto árido elas ainda tenham essa capacidade de acolher alguém”, diz. A psicóloga acredita que a importância de seus estudo consiste em tentar criar relevo para a questão, para o cotidiano dessas mulheres, mas sem se entregar aos estereótipos de “vítimas” ou de que o sistema é muito mole com elas. “Fora isso, também é importante para refletir em que medida o cotidiano observado pode dizer algo acerca do contexto social em que todos vivemos e sobre as sensibilidades manifestadas pela opinião pública diante da violência, que levam à estigmatização destas mulheres como vítimas ou como vilãs”.
(Imagem: Marcos Santos)

Tradutor Google

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